RECORDE NO MÊS

Campinas teve o janeiro com mais casos de dengue desde 1998

Na quarta-feira à tarde a cidade atingiu 1.483 registros da doença, superando até mesmo o ano da pior epidemia, 2015, quando o primeiro mês acumulou 1.466 infecções

Eliane Santos e Ronnie Romanini
01/02/2024 às 08:56.
Atualizado em 01/02/2024 às 14:43
O médico Giuliano Dimarzio recomenda que as pessoas fiquem atentas aos sinais de alarme da doença, que são, entre outros, febre, dor abdominal, dor de cabeça, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos, letargia e ou irritabilidade e sangramento de mucosa (Kamá Ribeiro)

O médico Giuliano Dimarzio recomenda que as pessoas fiquem atentas aos sinais de alarme da doença, que são, entre outros, febre, dor abdominal, dor de cabeça, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos, letargia e ou irritabilidade e sangramento de mucosa (Kamá Ribeiro)

Campinas teve o janeiro com mais casos de dengue confirmados desde 1998, quando começou a série histórica. Até as 16h21 de quarta-feira (31), o Painel Interativo para monitoramento de dados das arboviroses, criado pela Prefeitura, registrava 1.483 casos. Com isso, janeiro de 2024 superou até mesmo 2015, ano da maior epidemia de dengue da cidade, cujo primeiro mês teve 1.466 infecções. Considerando os 12 meses, 2015 contabilizou 65.754 casos de dengue, a maior quantidade na história de Campinas.

A situação pode ser ainda pior, já que são, pelo menos, mais 818 suspeitas sendo investigadas. Em todos esses casos os primeiros sintomas surgiram já em janeiro de 2024.

Antes da atualização no meio da tarde, Campinas iniciou na quarta-feira (31) com 1.263 casos, conforme apontava painel da Secretaria de Saúde. Desse total, cerca de 3,8% dos pacientes precisaram de internação hospitalar para tratar a doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, responsável ainda pela febre chikungunya e o zika vírus.

De acordo com a Secretaria de Saúde, 48 pessoas foram internadas nas redes particular e municipal de saúde em 2024. Algumas ainda se encontram em tratamento, mas não há registro de óbitos. Desde o ano passado, o município vive uma epidemia da doença. Três pessoas morreram em 2023 em decorrência da dengue. Mesmo passando por uma de suas piores epidemias, a cidade ficou fora da lista dos municípios que vão receber a vacina Qdenga.

A Secretaria disse que não é possível precisar o tempo de internação, pois ele é diferente conforme a complexidade de cada caso e de variáveis, como a idade do paciente, comorbidades e o tempo entre o início dos sintomas até a procura por assistência médica adequada.

As faixas etárias que mais registram casos em 2024 são a de 20 a 29 anos (249), de 30 a 39 (211) e de 10 a 19 anos (149). Os brancos representam 569 infectados, seguido dos não informados (ignorados), com 388, e, por último, os negros, com 310. Os dados também foram retirados do Painel Interativo Arboviroses.

Segundo a Biblioteca Virtual do Ministério da Saúde, a internação nos casos de dengue é indicada principalmente quando o paciente, durante o tratamento, tem aumento de hematócrito, ou seja, pacientes com o nível de plaquetas inferior a 20.000/mm3, e devem ser reavaliados clínica e laboratorialmente a cada 12 horas. O hematócrito é um exame de sangue que mede a porcentagem de hemácias no sangue, também chamadas de eritrócitos ou glóbulos vermelhos.

A infecção pelo vírus da dengue causa, ainda segundo a Biblioteca Virtual, uma doença de amplo espectro clínico e até quadros graves, podendo ter evolução para o óbito. Entre estes, destacase a ocorrência de hepatite, insuficiência hepática, manifestações do sistema nervoso, miocardite, hemorragias graves e choque.

Segundo o médico Giuliano Dimarzio, as pessoas tem de ficar atentas quanto aos sinais de alarme da doença, que são, entre outros, febre, dor abdominal, dor de cabeça, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos, letargia e ou irritabilidade e sangramento de mucosa. O tratamento é basicamente hidratação, remédios para dor e vigilância quanto aos sinais de alarme. “O cuidado individual é ter uma hidratação intensa com água, sais de reidratação oral, ou isotônico, e alimentação leve”, completou Dimarzio.

Professor, médico de família e comunidade, além de diretor da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas (SMCC), Dimarzio acrescentou que o tratamento dura cerca de sete dias e ressaltou a importância de se manter as medidas de enfrentamento aos criadouros do mosquito.

A Secretaria de Saúde de Campinas também ressaltou que a Pasta realiza neste primeiro bimestre de 2024 capacitações específicas para profissionais da área em unidades públicas e particulares. O objetivo é qualificar os atendimentos. Desde abril de 2023, quando foi declarada a epidemia, o Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, deixou de realizar a sorologia. Com isso, moradores que apresentam febre e mais dois sintomas passam a ser considerados casos positivos.

NOVO MUTIRÃO

A Secretaria de Saúde definiu as regiões que serão percorridas durante o 4º mutirão quinzenal de 2024, para prevenção e combate à dengue, que acontece neste sábado, dia 3, a partir das 8h. A mobilização está programada para o Jardim Pauliceia e em trechos da Vila Castelo Branco e dos jardins Anchieta, Campos Elíseos, Nova Morada e Roseira. Os locais foram selecionados por causa do número de casos confirmados ou suspeitos de dengue nos últimos sete dias. O objetivo é mobilizar a população para que ela contribua com os cuidados necessários.

O mutirão deste sábado deve reunir pelo menos 100 agentes da Saúde, incluindo trabalhadores da empresa Impacto Controle de Pragas que atuam nas visitas aos imóveis para orientação e eliminação de criadouros. Eles usam uniforme formado por camiseta branca, com logo da empresa, e calça na cor cinza. O pedido é para que a população colabore nos trabalhos e permita a vistoria dos agentes.

A Administração repetirá a estratégia de usar drones para localizar grandes criadouros do mosquito Aedes aegypti, como piscinas e caixas d'água em imóveis identificados como desocupados ou em situação de abandono. Com isso, chaveiros podem ser acionados. A medida está respaldada em decisão judicial de 2020, proferida nos autos do processo judicial n.º 1005810-97.2014.8.26.0114, da 1ª Vara da Fazenda Pública de Campinas.

Na última segunda-feira, a Prefeitura emitiu novo alerta com bairros que apresentam alto potencial de transmissão da doença. São eles: Parque São Quirino, Vila 31 de Março, Jardim Campineiro, Jardim São Marcos, Vila Esperança, Jardim Rossin, Jardim Nova Europa e Vila Campos Salles, Vila União e os bairros de Sousas Cohab, Imperial Parque e Jardim Conceição. 

CAMPINAS SEM VACINA

Mesmo com o alto número de casos, Campinas ficou fora da lista das cidades que terão prioridade para receber a primeira remessa da vacina contra a dengue (Qdenga). De acordo com o Ministério da Saúde, a seleção das cidades atendeu a três critérios: municípios de grande porte, ou seja, com mais de 100 mil habitantes, alta transmissão de dengue registrada em 2023 e 2024, e maior predominância do sorotipo 2 (DENV-2). O motivo para a não inclusão de Campinas na lista de cidades que receberão o imunizante é que não há casos registrados do sorotipo 2 do vírus da dengue. Segundo a Prefeitura, o sorotipo DENV-2 não circula no município desde 2021.

Após Campinas ficar fora da relação, o prefeito Dário Saadi (Republicanos) divulgou nota por meio da assessoria de imprensa anunciando que encaminharia ofício ao governo federal reivindicando o envio do imunizante. No entanto, procurado pela reportagem do Correio Popular, o Ministério disse, em nota, que “para 2024 a estratégia já está definida e as regiões de saúde são as que foram divulgadas. Para o próximo ano, o Ministério da Saúde irá avaliar o cenário epidemiológico da doença e o quantitativo disponível de doses antes da definição da estratégia”.

A vacina começa a ser aplicada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ainda em fevereiro, em 521 cidades brasileiras. O públicoalvo é formado por crianças de 10 a 14 anos. Serão duas doses com intervalo de três meses entre elas. No Estado de São Paulo, apenas 11 cidades foram incluídas no programa federal. São elas Guarulhos, Suzano, Guararema, Itaquaquecetuba, Ferraz de Vasconcelos, Mogi das Cruzes, Poá, Arujá, Santa Isabel, Biritiba-Mirim e Salesópolis, todas no Alto Tietê.

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